O Colarinho de Pelos

 

O Colarinho de Pelos é uma lenda urbana assustadora sobre duas garotas chamadas Julia e Geraldine que estão dormindo fora. É baseada em uma história antiga chamada “The Phantom Footsteps” que é, na verdade, uma história dentro da história do livro “The Gentleman From America” de Michael Arlen.

 

 

 

 

Julia e Geraldine eram melhores amigas, mas tinham personalidades bem diferentes. Julia era valente e não tinha medo de nada, já Geraldine era tímida e tinha medo de tudo.

Era noite de Halloween e as garotas foram dormir na casa de Geraldine porque seus pais estavam fora da cidade. De fato, toda vez que os pais de Geraldine estavam fora, dormiam na casa uma da outra porque Geraldine ficava nervosa em dormir sozinha em casa, mesmo que soubesse que não havia nada o que temer.

Era uma casa grande e melancólica, bem afastada da estrada. Quando Julia chegou e tocou a campainha, Geraldine atendeu a porta e a recepcionou lá dentro. As garotas vestiram suas roupas de dormir. Julia estava vestindo uma linda camisola de seda. Era escarlate e tinha um colarinho de pelos. Geraldine achou-a linda e desejou que pudesse ter uma camisola tão bonita quanto.

As garotas fizeram pipoca e se ajeitaram no sofá para assistirem um filme de terror. Quando terminou, Julia estava cansada e Geraldine estava com um pouco de medo, então decidiram desligar a TV e irem para a cama. Enquanto subiam as escadas, tiveram o sentimento mais estranho de que algo as estava seguindo. Correram escada acima e se atiraram a porta do quarto adentro. Então, riram uma da outra por serem tão bobas.

Foi pouco depois da meia-noite que as duas garotas estavam deitadas na cama, conversando. Repentinamente, ouviram um som fraco vindo lá de baixo. Parecia que algo estava se movendo lá embaixo.

Scritch... scritch... scritch...

Pararam de conversar e olharam uma para outra, com olhos arregalados. Houve um silêncio tenso. Então, ouviram o barulho de novo. Parecia que dedos arranhavam uma lousa.

Scritch... scritch... scritch...

Julia se sentou na cama, ouvindo atentamente. Geraldine escondeu sua cabeça debaixo das cobertas.

-É apenas um gato – Julia sussurrou. – Vou descer para ver.

-Não vá! – Geraldine implorou. – Por favor, não me deixe, Julia!

-Não seja tão infantil! – Julia rebateu. – Sempre que qualquer coisa divertida acontece, você fica aí suando frio.

-Por favor – resmungou Geraldine.

-Se está tão assustada, vou trancar a porta por fora e levar a chave comigo – Julia a assegurou. – Desse jeito, ninguém conseguirá entrar. Espero que seja um ladrão! Vou dar o maior susto da vida dele.

Julia se levantou da cama e encontrou seu caminho para a porta na escuridão. Deslizou para o corredor e silenciosamente fechou a porta atrás dela. Geraldine ouvia enquanto ela virava a chave na fechadura. Ouviu os passos leves de Julia descendo as escadas. Então, ouviu o barulho de novo. Soava como uma faca sendo afiada.

Scritch... scritch... scritch...

Geraldine ficou deitada ali no escuro com as cobertas sobre sua cabeça. Ela estava morta de medo e tentando ficar tão quieta quanto um camundongo. Tudo que podia ouvir era a tão inércia da casa. Queria chamar pelo nome de Julia, mas não ousou.

Geraldine esperou pelo o que pareceu ser uma eternidade. Após um longo silêncio, ouviu o barulho de novo. Parecia estar se movendo agora, vindo pelas escadas, ficando mais e mais alto.

Scritch... scritch... scritch...

Então, parou. Geraldine pensou ouvir alguém parado do outro lado da porta.

Scritch! Scritch! Scritch!

Ouviu a chave sendo girada na fechadura e a porta se abrindo com um rangido.

-Julia? – perguntou pela amiga. – Julia, é você?

Não conseguia enxergar nada na escuridão, assim estendeu ambas as mãos para frente.

Esticou-as e sentiu a seda suave de uma camisola.

Então, Geraldine as esticou mais para o alto e, para seu alívio, sentiu o colarinho de pelos. Deve ser Julia, pensou.

Porém, quando esticou as mãos para cima de novo, sentiu algo molhado e quente.

Não havia nada ali... Nada senão um toco ensanguentado onde a cabeça de sua amiga uma vez esteve.

Cedo na manhã seguinte, quando a mãe e o pai de Geraldine voltaram para casa, ficaram chocados com o que encontraram. Do lado de dentro da porta da frente, havia uma enorme poça de sangue e uma trilha de sangue que ia pingando até a escada. Os pais descontrolados correram escada acima, seguindo a trilha de sangue que levava até o quarto de sua filha. Quando abriram a porta, o pobre casal ficou ali parado, atônito com a visão extremamente perturbadora com que seus olhos se depararam.

O corpo sem cabeça de Julia estava estirado no chão. Encontraram Geraldine escondida no closet. Seu cabelo havia embranquecido, estava balbuciando e murmurando como uma lunática. Havia ficado completamente maluca.

Mais tarde naquele dia, a polícia encontrou um homem confuso vagando pelos campos. Estava vestido com um avental branco de hospital e tinha sangue por todo seu corpo. Em sua mão, segurava uma faca ensanguentada. Acabou que ele era um lunático homicida e que, na noite anterior, havia fugido do hospício da cidade.

Ironicamente, seria exatamente o mesmo hospício em que Geraldine passaria o restante de sua vida.

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