Resenha: A Ponte Entre Reinos

De Danielle L. Jensen 

 

Objetivo: amar um livro. Obstáculo: personagens BURROS.

Quando li a sinopse desse livro, sabia que seria uma leitura previsível, mas a parte do amor proibido já é o suficiente para instigar minha mente doentia. E queria dizer que a capa do livro é uma enganação, porque ela tem um gráfico de pizza em que quase metade dele corresponde a “romance quente”, sendo que mesmo depois da página 300 (o livro tem 400 e poucas) não rola nada de íntimo entre os protagonistas. Mas isso não importa pra mim (porque como a pessoa contraditória que sou, não resisto a um romance proibido, mas, ao mesmo tempo, não gosto de romance), o que realmente importa é que a protagonista mandou o protagonista enfiar a ponte dele naquele lugar e, a partir desse momento, ela ganhou meu respeito e eu ri como uma idiota pelo mercado editorial brasileiro finalmente ter a coragem de não censurar isso. Sério. Essa cena é impagável. Leiam esse livro apenas por ela.

Aliás, não é que o gráfico em si seja mentiroso, são apenas as proporções que estão completamente equivocadas, mas eu gostei da ideia. Mais certeiramente seria se mais da metade do gráfico fosse “guerra, violência e baixaria”...

Mas estou me adiantando, vamos contar um pouco sobre o enredo antes de dar minhas impressões que ninguém pediu.

Lara, junto com suas irmãs, foi treinada desde criancinha para se tornar uma espiã para seu pai em outro reino, o tal “reino da ponte” Ithicana, que é tão importante porque basicamente controla o comércio entre os reinos continentais. Há 15 anos, Maridrina, o reino de Lara, fez um tratado com Ithicana em que uma das princesas se casaria com o príncipe deles para terem um contrato comercial, além de uma suposta paz. Mas, o pai de Lara que é o rei de Maridrina, é muito do ambicioso e quer que a escolhida para o casamento espione o reino para traçar um plano de invasão. Porque, além de ricos, o reino da ponte é considerável impenetrável, eles usam a ponte para se locomover e fazer o comércio, mas as entradas dela e das partes do reino (que é um aglomerado de ilhas) são consideradas inacessíveis senão por rotas muito específicas, e os caras além de ótimos guerreiros são muito inteligentes para deixarem escapar seus segredos. Enfim. Lara não seria a escolhida para ser a noiva, mas ela bola um plano que forja a morte das irmãs, fingindo que as matou para poder ir para o tal reino, e porque seu pai iria matar todas as irmãs restantes de qualquer forma (e ela nem duvidava do caráter dele...).

Confesso que aí já me decepcionei porque estava achando que a Lara seria inescrupulosa e assassina logo assim de cara, mas não, foi só armação...

E o resto é a história que já conhecemos. Ela se casa com Aren, o príncipe de Ithicana, eles se odeiam, mas acabam se amando, ela acaba se afeiçoando ao lugar, às pessoas, menos a velha chata que é a avó de Aren, e fica num dilema até descobrir que o pai dela é um escroto. Previsível? Muito. Envolvente? Também sim. E é por isso que gostei. Porque, no fim, pedir por algo original é pedir demais, então nos contentamos quando a história consegue nos envolver. Perfeito? Bem longe disso.

Entre alguns defeitos que me incomodam queria ressaltar aquela velha máxima de que o mocinho é sempre muito bonzinho e o vilão é sempre muito mal. Aren é justo, não quer conflito com nenhum reino, quer apenas proteger Ithicana, é fiel a Lara depois que se casam, etc. O pai de Lara é ambicioso, disposto a sacrificar qualquer um por riquezas, despreza as mulheres, etc. Eu odeio isso, sério. Ok, os vilões podem ser psicopatas, mas não tem nenhuma disfunção mental que explique porque os mocinhos têm que serem sempre perfeitos até quando não são. O cara mata qualquer um, mas ainda é colocado de um jeito como se só fizesse “pelo bem” e não simplesmente para mostrar poder, porque afinal isso é coisa de vilão. Acho que deu para entender meu ponto...

A Lara salva Aren em alguns momentos, porém, apesar de nos ser apresentada como uma mulher forte e independente, e ela é, em muitos momentos ela acaba sendo salva e protegida também por ele, só que a balança não está em equilíbrio. E isso também me deixa um pouco chateada, isso é, ela é uma guerreira, forte e tal, e ainda assim... ela acaba sendo protegida mais vezes do que deveria, acabando por se provar mais vulnerável do que deveria, enquanto, de novo, Aren quase sempre se mantém em pé, apesar de algumas atitudes impulsivas e burras.

Lara também tem algumas atitudes burras e impulsivas, mas ela é bem mais fria e calculista. Em alguns momentos, realmente parece um livro de espionagem. Mas, voltando ao ponto, ela se apresenta mais vulnerável do que ele e isso que me irrita. Apesar de no final esse ponto ser relevante para o quesito “impacto”, ainda queria que a coisa fosse mais equilibrada. Parece que é quase impossível para os autores fazerem as coisas de uma forma que a garota não pareça mais frágil do que é ou que o garoto não pareça meio atrapalhado, mas, sabe, todo mundo têm defeitos...

E, sim, as atitudes burras. Teve um momento em que tive que parar de ler esse livro e ficar mais de uma semana sem lê-lo. Alguém teve uma atitude BEM idiota e eu falei “não vou suportar ler isso”, porque ia dar merda, uma grande merda. E eu sabia que não ia conseguir deixar de ler até ver a merda acontecer e tinha coisas importantes para terminar, não podia me distrair com outras coisas. Depois voltei e li o restante em dois dias. Não teve jeito, o livro me envolveu desde o começo, embora houvesse sim algumas passagens um pouco mais chatas. Como já deixei escapar antes, o que mais encontrará aqui será ação, espionagem, violência (mas nada assim muito gráfico ou exagerado), enfim, momentos de tirar o fôlego. O cenário é muito bem explorado. Tem uma única cena de sexo (não se anime muito portanto). A química dos protagonistas funciona muito bem e eles se complementam bem, um casal quase sem nenhum defeito, e os dois também são personagens gostáveis, embora irritantes em alguns momentos por motivos já mencionados.

Os demais personagens também são bons, tirando a velha chata que ainda estou tentando entender se a intenção era ser chata mesmo ou aqueles personagens que parecem chatos mas são legais (se foi a segunda opção, falhou). Uma coisa que gosto do enredo é que ele é dinâmico sem ser aquelas histórias que acontecem em dois dias. As coisas se desenrolam aos poucos em tempo cronológico, mas no tempo do livro segue um bom ritmo, a autora dá a entender que se passou um tempo e vai ao que interessa, contando o que houve de relevante naqueles dias se houver algo de relevante, e já começando a contar o próximo evento, estratégia essa que eu aprovo porque também uso.

O final era óbvio que aquilo ia acontecer, não exatamente desde o começo, mas a partir de um certo evento (e era evitável, por isso que dá tanta raaaaiva), ainda assim, é de partir o coração. Só acho que o livro deveria ter terminado aí e não ter tido mais um capítulo, tal capítulo poderia ser o início do livro seguinte. E digo isso porque simplesmente odeio finais inconclusivos, e não é porque é uma série que é permitido que o final seja assim. Se tivesse terminando no penúltimo capítulo, ainda daria muito bem a entender que teria mais, porém seria um final conclusivo. E, só para ressaltar, o que quero dizer com “conclusivo” é que o ciclo se fechou ali (diferente de um “final em aberto” em que a interpretação e o que pode ter acontecido é jogado para nós leitores, e muitas vezes é algo mais preguiçoso do que esperto), não da história inteira, mas o conflito do primeiro livro em si, enquanto no último capítulo já abre um novo conflito e acaba assim, sem mais nem menos. Já sabíamos que ia ter um segundo livro (óbvio), não precisava ali mesmo já ter começado um novo ciclo...

E para finalizar os defeitos, queria acrescentar que não gostei mesmo do desfecho das irmãs da Lara (claro que não ficaria por aquilo que contei no começo). Acho que já evoluímos isso, foi meio bobo, desnecessário e tão blasé.

E então. Eu amei esse livro ou não?

A resposta é: não sei. Acho que posso vir a amar se o final da saga for bom. Dito isso, não é que não tenha gostado, pelo contrário, gostei muito, mas prefiro julgar como um todo. Por enquanto, me agradou o bastante para querer dar continuidade e torcer pelos protagonistas e, pode não parecer, mas isso é raro de acontecer comigo. Já houve séries em que li até o fim porque queria que a\o protagonista se lascasse no final (House of Night...). Mas devo confessar que não estou tão empolgada para o segundo porque deu a entender que será mais focado na espionagem, coisa que não gosto muito, prefiro a parte da adrenalina (sempre agressiva, nunca passiva). Mesmo assim, garanto que lerei o segundo. Talvez não logo depois que sair, mas pouco depois. Aguardem.

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