Resenha Rápida: O Reino das Vozes Silenciadas
Continuação de “O Reino das Vozes que não se Calam”, esse livro me decepcionou muito, ainda mais pelo final (acabou com todo o encanto que tive no primeiro. O que é até engraçado, porque vi resenhas de quem não tinha gostado do primeiro, mas gostou do segundo). Passaram-se anos desde o término do primeiro livro, Sophie está ingressando no mercado de trabalho, sendo assistente do empresário de uma banda de rock, cujo vocalista é seu atual namorado. Obviamente, ela não está mais com o Leo, que também tem uma banda e que foi uma das coisas que os levaram a terminar, a dedicação dele com a banda que o fez com que a deixasse de lado. Acontece que ela ainda não o superou e carrega uma cicatriz pela forma como o relacionamento deles se desenrolou, assim, ela nunca consegue confiar completamente em seu atual, por mais que o enxergue como alguém bom e confiável sim. Essas dúvidas, seus problemas emocionais retornando, que com o tempo ela aprendeu a controlar, porém sem nunca superar de fato, faz com que retorne ao Reino, mas, para completar a dose de “minha vida está uma bagunça”, seus conflitos internos fizeram com que o reino mudasse e sua avó ficasse mortalmente doente. E então é como se toda a dor pela qual ela passou tivesse voltado e ela se sente perdida de novo.
Nunca fica muito claro como o relacionamento entre ela e o Leo se desenrolou e terminou, mais por um conjunto de coisas do que por um acontecimento isolado. Quase não vemos nenhum personagem do livro anterior, tirando os próprios Sophie e Leo, e, quando aparecem, têm uma participação quase que insignificante. Sophie está em turnê com a banda e o cenário é a Europa, então há vários passeios românticos e turísticos (que não me interessa muito), mas também dificuldades que ela tem que superar no trabalho e a separação que tem que ter entre vida pessoal e profissional. A irmã do namorado dela também faz parte da banda e é uma garota extremamente problemática e com problemas emocionais, e a Sophie se vê um pouco nela e tenta ajudá-la, mas, no fim, ela acaba se afetando mais do que deveria e só colabora para trazer de volta seus fantasmas. E, para completar a volta dos fantasmas, a banda do Leo também está em turnê pela Europa, assim, o encontro deles, ainda que ao acaso, parece inevitável.
Spoiler (para entenderem por que não gostei): basicamente, Sophie joga tudo pro ar, admite que ainda ama o Leo (que todo mundo já sabia), termina com o atual, e decidi ir hibernar para ficar no reino e assumir o lugar da vó, após sua morte. O que é uma total regressão tanto do que ela passou nesse livro quanto no anterior. Fosse real ou apenas fantasia, o Reino era o refúgio dela, mas ela havia decidido viver na Terra e lidar com seus problemas. Então ela volta atrás e seus problemas a vencem. É assim que interpreto esse final, como se ela tivesse desistido da realidade e se entregado a algo que não é real. Por mais que sim, nem todo mundo consegue superar seus problemas e seguir em frente, ou simplesmente avançar ao invés de regredir, acho que tal final é pior do que se ela tivesse se jogado da ponte. Não necessariamente porque ache que foi “ruim” no sentido de coerência, e sim no sentido que não vemos nossa heroína sair vitoriosa ao final do dia (e eu torcia por ela, por mais que ela fosse chata em alguns momentos).

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