O Reino das Vozes que não se Calam
Dados técnicos
Volume 1 de 2(?)
Autoras: Carolina Munhóz & Sophia Abrahão
Editora: Rocco
Gênero: drama, fantasia, romance
Número de páginas: em torno de 280
Mais sobre as autoras
Carolina: www.carolinamunhoz.com
Sophia (sim a senhorita ex-malhação e rebelde): www.sophiaabrahao.com.br
Sinopse
“Se você encontrasse um lugar onde todos o aceitassem...
Seria capaz de abandoná-lo?”
“Sophie se esconde de todos e de si mesma: insegurança, não consegue enxergar sua beleza e talento, e sente dificuldade em se relacionar com os outros. Seu dia a dia se perde entre os caminhos tortuosos dos que convivem com a depressão e o bullying, e a jovem aos poucos vai se fechando na escuridão de seus pensamentos. Desamparada e sem coragem de lidar com seus problemas, ela acaba descobrindo um lugar mágico: um Reino onde as vozes não se calam e as criaturas encantadas se tornam reais. Um local colorido onde ela finalmente poderá se encontrar. Dividida entre a realidade e a fantasia, Sophie contará com a ajuda preciosa de um rapaz comum e uma guardiã encantada, que lhe mostrarão os segredos da alma e a farão decidir se vale a pena enfrentar seus medos ou viver em um eterno conto de fadas.”
Nas minhas palavras:
Sophie é uma adolescente sensível que tem uma solidão e melancólica, digamos que, “inatas”, e que ama cantar, porém não o faz em público por ter medo que as pessoas desmintam o talento dela em relação a única coisa que faz bem à ela. Como é uma pessoa introvertida, ela só tem uma amiga, que fez na época em que eram bem criancinhas, chamada Anna. No colégio, Anna é uma menina popular que anda com uma turma de amigos e a Sophie só anda com eles por causa dela. Aí, certo dia, a Anna tem a ideia genial de fazer com que a Sophie “fique” com dos garotos deste grupinho durante a festa. Milagrosamente, Sophie vai nessa tal festa, a pedido de Anna que já tinha meio que jogado uns verdes pra ela sobre esse garoto, e ela vê o mesmo garoto ,que supostamente estava a fim dela, aos beijos com uma das patricinhas do colégio que por acaso é dona da festa. Óbvio, rola o maior barraco, Anna acaba falando demais e revelando que ela havia combinado com o menino para que ele ficasse com Sophie. Como a maioria das pessoas com o mínimo de amor próprio reagiriam, Sophie fica p da vida e acaba com a amizade ali mesmo.
Naquela mesma noite da festa, Sophie acaba sonhando com o Reino e automaticamente se encantando por aquele local mágico e todo colorido, ao contrário do seu mundo que é todo cinza, e querendo voltar a ele para saber quem são as pessoas com que se deparou segundos antes de acordar. Á partir de então, Sophie passa a ficar ainda mais isolada na escola, e a buscar maneiras de voltar ao Reino durante o sono. Mesmo a relação com seus pais, que sempre fora algo bom apesar da preocupação deles pela aparência de Sophie, por ser muito magra e se vestir de maneira descolada e com roupas mais largas e as pessoas sempre acabavam reclamando de seu jeito, já não é mais tão bom a ponto de mantê-la com os pés no mundo real.
E para piorar, Sophie cada vez mais se deixa levar mais e mais por esses sentimentos ruins culminando em sua ruína. Enquanto isso, no Reino, Sophie continua sendo muito amada e querida, porém é necessário que se passe por três etapas antes que possa viver com os Tirus – as criaturas mágicas que vivem no Reino, desde fadas a gatos falantes e guardiã dos segredos, e todos (a maioria na verdade) usam uma mini-cartola na cabeça para que possam proteger seus pensamentos.
Contudo, o livro não trata apenas de uma garota depressiva ou de reinos mágicos, trata de problemas sérios como o bullying, transtornos alimentares, essa solidão que afeta as pessoas mais sensíveis, e a falta de compreensão das pessoas em geral. Tudo isso tratado de forma muito discreta e delicada, eu diria até que um pouco negligenciada. O bullying por exemplo, ele está lá, sabemos que a Sophie é vítima dele, porém, sem destaque, o narrador nos conta que as pessoas fazem comentários maldosos, que as pessoas olham torto pra ela e etc., mas parece algo meio distante, meio frio. Talvez refletindo a maneira como a protagonista enxerga o mundo. Por conta disso, acho que esse livro não é recomendável para pessoas muito jovens, apesar de ser um livro juvenil.
Em geral, eu ameeeeei este livro! Claro que tem uns pontos negativos, como uns nomes bem toscos (a maioria do povo do Reino), o fato de que, apesar do sofrimento da Sophie ser compreensível, é um tanto exagerado em alguns aspectos, e você fica se perguntando de onde surgiu toda aquela tristeza (no final ela até diz o começo de tudo e nós sabemos o que veio depois. Eu meio que a entendo, ainda sim, acho que ela é uma pessoa sensível demais pro meu gosto), e a autora tenta deixar a história mais descontraída, através dos personagens, mesmo em momentos muito sérios, e na minha opinião, isso ficou MUITO forçado. Demais. Mesmo assim, esses pontos negativos, e outros não citadas, são insignificantes perto da beleza deste livro. É uma história de superação linda, em que acompanhamos a personagem vencendo seus medos, receios e inseguranças e, no final, se entregando ao lugar certo. É uma história da vida real embalsada na fantasia que nós faz acreditar que não devemos desistir, que sempre haverá alguém que estará lutando ao nosso lado mesmo quando parece que o mundo inteiro está contra nós. E mais! O romance que há no livro, porque tem que ter né, não achei forçado, é um sentimento sincero, sublime e que também ajudou Sophie a continuar em frente ao invés de dar mais dor de cabeça (e no coração) pra ela. Tudo bem que está um pouco romantizado demais, quem iria continuar agindo daquele jeito depois de tudo, mas não pareceu forçado, o amor foi surgindo aos poucos e o relacionamento deles também foi crescendo aos poucos, apesar de ter havido sim uma atração inicial.
Teoria da Conspiração
O Reino seria mesmo real ou algo causado pela cabeça perturbada de Sophie?
Para mim, o Reino é de fato real, porém, acho que as chances de Sophie tê-lo criado em sua mente são altas e deixaria a história bem mais interessante sob uma nova perspectiva. De qualquer forma, seja qual for a resposta, acho que as duas são aceitáveis e intrigantes (apesar que isso poderia complementar a visão sobre este livro).
Existem milhões de pontos durante a narrativa que nos apontam para uma resposta ou outra. Vou informar aqui apenas algumas (as que eu me lembrar) para podermos refletir (não na ordem de acontecimentos):
1- 1. Lá para o final do livro, Sophie começa a ver pequenas semelhanças entre os dois mundos, como o colar de Anna, isso poderia ser um indício de que ela se baseou em coisas subconscientemente para criar seu mundo dos sonhos. Ou que, de certa forma, o Reino tem relação com a vida “real”. Ou ainda, Sophie estava pirando de vez.
2- 2. Ainda sobre o final, quando Sophie vai pela última vez ao Reino e informa que decidiu viver em meio aos humanos, claramente isso foi um sinal de que estava se curando, ou lutando com todas as suas forças e obtendo resultados, de sua depressão. Portanto, aquele lugar mágico que imaginou não se fazia mais necessário.
3- 3. No Reino, Sophie era especial e amada e ao mesmo tempo não se sentia “estranha” ou diferente dos outros. Mais um possível sinal que sua mente criou aquele mundo para poder ser aceita.
4- 4. O fato de Sophie ter sonhado com o Reino pela primeira vez, que foi logo depois que sua vida “desmoronou” digamos assim, que foi durante sua briga com sua única amiga, pode ser mais um sinal de que Sophie criou o Reino como uma forma de escapar de sua realidade cruel.
5- 5. Sophie tem noção que o Reino parece mesmo coisa da sua cabeça e até imagina que pode estar ficando louca. Pessoas loucas não tem noção de que são loucas, então apesar de perturbada, Sophie não tinha muitas tendências insanas.
6- 6. Sophie não tem controle sobre como ou quando vai para o Reino. Em nenhum momento ela consegue controlar isso. O que poderia provar que não é sua imaginação.
7- 7. Quando estava morrendo, não fica claro no livro, porém dá a entender que ela tentou se matar no Reino também. Como ela poderia se matar nos dois mundos ao mesmo tempo? Será que após desmaiar por ingerir os comprimidos, foi para o Reino e se jogou no lago? Mas, se fosse seu subconsciente, ela não deveria estar “apagada”?
Bom, eu poderia citar muito mais coisas, mas vamos encerrar por aqui. Comentem aí outros momentos que comprovam uma teoria ou outra.
Eu imagino que a história tem o intuito de fazer com que nós acreditemos no Reino. Porém, analisar o Reino como se fosse o subconsciente de Sophie daria uma teoria da conspiração muito melhor, analisar o livro dessa forma seria muito mais legal. Principalmente a parte sobre as cartas e os personagens do Reino (é tipo a teoria de que o Ash esteve em coma o tempo todo hahaahhahah). Quem sabe eu não leio este livro um dia desses de novo e fico aqui brisando o que cada coisa no Reino pode significar no mundo real...

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