Caixa de Pássaros

 

Dados técnicos

 

Volume1 de 2 (?)

Autor: Josh Malerman

Tradutora: Carolina Selvatici

Editora brasileira: Intrinseca

Gênero: thriller (terror psicológico)

Número de páginas: em torno de 264

 

Sinopse (retirada do livro)

 

“Há alguma coisa lá fora...

Algo aterrorizante que não deve ser visto. Basta uma olhada e a pessoa é levada a cometer atos de violência mortal. Ninguém sabe o que provoca isso ou de onde veio.

As portas estão sempre trancadas. Cobertores tapam as janelas  das casas. A internet não funciona mais. Nem o telefone. Os sobreviventes não sabem em quem confiar. Não se pode mais sair ás ruas sem uma venda nos olhos. Há algo do lado de fora. Algo que não pode ser visto, que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio.

Abrigada com duas crianças, Garoto e Menina, em uma casa abandonada próxima de um rio no Michigan e obrigada a sair sempre com os olhos cobertos, Malorie logo aprende a realizar tarefas, e inclusive a percorrer distâncias mais longas, às cegas. O surgimento de uma misteriosa neblina faz com que ela decida finalmente deixar a casa e embarcar com a família numa arriscada jornada, de olhos vendados, confiando apenas em sua perspicácia e no ouvido treinado dos filhos. Mas do que eles estão fugindo e onde pretendem recomeçar a vida?

Quatro anos antes, Malorie fez parte de um grupo liderado por Tom, seu amigo leal, e formado por pessoas que não se conheciam, mas que se uniram para resistir ao terror oculto, na tentativa de criar certa ordem a partir do caos. Contudo, quando os suprimentos chegaram perto da escassez, eles foram obrigados a se arriscar do lado de fora e a confrontar a pergunta derradeira: em um mundo que enlouqueceu, em quem se pode realmente confiar?

Nessa angustiante odisseia, submersa na escuridão, cercada de sons – alguns familiares e outros assustadores - , Malorie é levada a um mundo desconhecido e também de volta ao passado, para a companhia de quem uma vez a salvou.

Com uma narrativa que alterna passado e presente, o romance de estreia de Josh Malerman é uma incrível história de terror psicológico em um mundo pós-apocalíptico. Tenso e aterrorizante, Caixa de pássaros explora a essência do medo. Um thriller que vai deixar o leitor sem fôlego.”

 

Nas minhas palavras

 

Entre todos os livros que já li, este foi o que me deixou mais fissurada. Mesmo sendo madrugada, estando morrendo de sono e a luz ter saído do ar por alguns minutos, eu não fui capaz de ir dormir enquanto não terminasse esse livro. Obs: eu comecei a ler, tipo dois capítulos num dia, e no outro já li tudo de uma vez. Ok, não é um livro tão grande. Porém, fazia tempo que não ficava tão intrigada pra saber o final de algo.

E não é que seja um livro de terror com elementos inéditos, pelo contrário, ele é previsível se olhar por um certo ângulo. Mas a maneira como se desenrola a narrativa, te envolve até o fim. O tempo todo, os personagens estão tensos e nós leitores ficamos tensos também esperando que o momento inevitável chegue. O livro é 100% thriller, os momentos de tranquilidade são quase que inexistentes, e, quando não estão sendo espreitados por nada físico, o passado os atormenta gerando uma boa dose de drama também.

Como dito na sinopse, o livro intercala capítulos no passado e no presente. No presente, a Malorie, a protagonista e no qual a história é focada a maior parte do tempo, está em um barco com seus dois filhos querendo chegar a um certo destino, e sim, o presente é o tempo todo só isso, mas nem por isso é menos interessante, e a maioria dos capítulos se passa mesmo no passado. Há 4 anos, começou a surgir na Rússia casos em que as pessoas enlouqueciam, matavam quem estivesse ao redor e depois se matavam. Essa “catástrofe”, que até então achavam se tratar de um vírus, algo assim se me lembro bem, se espalhou até chegar aos Estados Unidos , e nessa mesma época a Malorie, que morava com a irmã, descobriu estar grávida de um cara com quem teve um encontro casual (se é que vocês me entendem). Aí se descobriu que essa “coisa” só fazia mal para quem a visse, por conta disso, as pessoas se isolaram em casa e tamparam tudo que desse uma visão do que havia lá fora, janelas, portas, etc. Obviamente não ia prestar. Após a irmã da Malorie se suicidar por ter visto “algo” por uma frestinha na janela do banheiro, Malorie, que já pensava em se juntar a um grupo de pessoas que existia no Michigan, pegou o carro e foi até lá com a cara e com a coragem (não lembro se ela foi vendada ou não, acho que abrindo e fechando os olhos ocasionalmente). Só então ela conhece Tom (não sei vocês, mas na sinopse dá a impressão que ela já o conhecia), e ele foi logo de cara o mais a favor de ela ficar e que sempre a apoiou e tal. Na época, havia mais 4 pessoas, 3 outros caras e uma garota. Mas, mais pessoas vão aparecendo ao longo da história.

Em geral os personagens são carismáticos e você torce por eles, mesmo sabendo que uma hora eles não estarão mais ali (gente, fato óbvio, livro de terror, a gente sabe que eles não estão ali porque morreram). E esse é o grande clímax: quando e como cada um vai morrer? Vão acontecendo coisas e você fica tipo “é agora que fulano morre”. Ao mesmo tempo, você fica meio confuso no momento que isso acontece... mas é, é praticamente óbvio. E esse grande clímax... não sei. Tem a cara de um livro/filme de terror e ainda sim você consegue se surpreender. E chega um momento que os fatos do passado já não seguem mais em uma ordem linear pra confundir o leitor. Fica a dica.

 

Momento filosofando sobre o título da obra

 

Há um momento em que eles encontram uns passarinhos dentro de uma caixa e passam a usá-los para saber quando algo se aproxima da casa. Isso que é meio que uma analogia às pessoas que ainda restam no mundo. Aqueles que sobraram se isolaram dentro de casa, de “caixas” completamente fechadas em suas quatro dimensões, para poder sobreviver, pois lá fora mora o perigo, e se sentem algo de fora se aproximar, já entram em pânico, como pássaros ao avistar uma possível ameaça.

SPOILER A FRENTE: Outro momento em que aparecem pássaros é quando a Malorie está no barco com as crianças. Vários pássaros estão sobrevoando a parte do rio onde eles estão e quando a “criatura” aparece, os pássaros enlouquecem, começam a se matar de uma forma terrível. Talvez seja uma analogia também. Que não adianta fugir, a partir do momento em que está solto, livre, é questão de tempo até que o mal o alcance. Não há para onde fugir, a liberdade não existe, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

 

Observação: essa foi uma das primeiras resenhas que escrevi, quando tinha apenas uma vaga vontade de fazer um blog, mas que demorou anos para que se concretizasse. O livro tinha acabado de sair na época e segue sendo um dos meus favoritos. Infelizmente, não posso dizer o mesmo de seu autor. E o motivo disso será revelado nas futuras resenhas dos outros livros dele, então aguardem! 

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