A Ilha das Sete Luas

 

De Marcus Sedgwick

 

Editora Novo Século

Tradução de Marcia Men

269 páginas

 

No ano de 2073, um jornalista vai até uma ilha remota pesquisar sobre uns rumores de que ali as pessoas vivem mais tempo do que deveriam, porém, não há crianças. Lá, Eric, o jornalista, conhece uma moça chamada Merle e sente como se já a conhecesse, mesmo sabendo que nunca a viu antes.

Continuação da sinopse que talvez possa ser um spolier caso não queira saber absolutamente nada além do necessário: Eric e Merle se conheceram por sete vidas relacionadas a essa mesma ilha desse reencontro e, cada uma das sete luas, representa uma dessas vidas, e conta uma história diferente, retrocedendo no tempo. Há outros elementos que relacionam essas sete histórias\vidas além dos personagens óbvios e da ilha, e é intrigante ver algo que aparece em uma parte X do livro, ter sua origem durante outra época, e casos assim.

Indo direto ao ponto (como sempre), a história não me convenceu. Não como uma história de amor, pelo menos. É aquele tipo de história que parece que a pessoa está te contando, ou seja, não há aprofundamento nos acontecimentos, nos momentos ou nos sentimentos dos personagens, assim, acaba sendo uma questão de credulidade, ou o leitor acredita ou não, durante a história, não haverá argumentos que te convencerão.  Portanto, apesar de ter lido rápido e me deixado curiosa, eu estava pouco me lixando para a história em si do Eric e da Merle (isso não seria um nome masculino? Bem, deixa pra lá. Mas sim, é uma mulher.), no máximo, ficava curiosa para ver qual seria a relação dos dois, já que nem em todas as vidas eles foram amantes, pelo contrário, na maioria se reencontraram de outras formas, o que é legal porque muda a dinâmica entre eles sem necessariamente alterar o “amor” (já que o amor existe de várias formas e em vários tipos de relacionamentos).

Já se a ilha fosse o foco da história, e talvez até seja mais protagonista do que o casal, teria sido muito mais efetivo. Apesar de acompanharmos também as diferentes fases da ilha durante essas vidas passadas, gostaria que seus “mistérios” tivessem sido mais explorados. Têm algumas coisas que são apenas o que são e não tem um porquê por trás, ainda que fosse fantasioso, e isso é um pouco frustrante.

A narrativa é rápida e bem fluída, os capítulos são curtos. Porém, não me pegou logo de cara. Esse foi um daqueles livros que abandonei por um tempo até voltar a pegá-lo, decidida a ir até o fim. Outra peculiaridade de narrativa é que ela tenta se adaptar ao tempo em que ocorre cada uma das partes do livro (lembrando que cada parte segue uma cronologia decrescente). Explicando: nos tempos mais remotos da história, há o uso de umas palavras mais arcaicas. Porém, isso não é algo consistente, no mesmo capítulo em que o autor tenta seguir uma narrativa mais de acordo com o tempo, ou apenas um pouco mais rebuscada, ele usa expressões como “caiu fora” (não lembro se foi bem isso, mas foi algo do tipo). E realmente acho que é algo do autor e não da tradução, mas só poderia afirmar se lesse no original. De qualquer forma, dá para dizer que a narrativa varia sim um pouco a cada parte do livro. 

Também não gostei do final, embora se tivesse acontecido um “deus ex machina” eu fosse gostar menos, e é um final cíclico na realidade, apesar de o autor ter deixado a entender que o ciclo se quebrou ali (e isso é até metafórico, já que a lua também é um círculo que segue ciclos). E a grande questão da história, essa coisa de gente vivendo demais e não reproduzindo, fica mais ou menos em aberto. Dá para associar o que acontece no presente com o que houve no passado, mas talvez não faça sentido. A narrativa da última lua foi bem chata, quando deveria ser a mais empolgante já que foi o começo de tudo. Em geral, até que vale a pena ler sem esperar por coisas surpreendentes, o legal mesmo é ficar ligando os pontos.

 

Questão envolvendo spoilers: entendemos que o que faz as pessoas viverem mais tempo é o tal do chá com a orquídea dragão, e que isso as deixa inférteis. Em narrativas passadas, dá para ver que nem todo mundo tomava esse chá. Porém, em outras, isso não fica tão claro. Assim, podemos deduzir que na narrativa atual todo mundo toma esse chá, por isso que vivem muito, mas não se reproduzem. Mas, caso isso seja o caso em outros tempos, em que todo o vilarejo toma o chá, não faz sentido que exista um “presente”.

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